domingo, 1 de agosto de 2010

O Pequeno Príncipe- Saint-Exupéry

"Este livro do Saint-Exupéry é um clássico indispensável, um romance fascinante.  A cada leitura novos tesouros são encontrados. É uma fonte inesgotável de reflexões, provocações, é um livro mágico, simples, transformador, com carinhos para alma e a mente!
Sensibilidade é o instrumento que Antoine de Saint-Exupéry utiliza ao narrar a realidade no “Pequeno Príncipe”.
Ele nos abre os olhos e faz enxergarmos que as pessoas não podem reconhecer o desenho número 1, porque foram corrompidas e diminuídas pela sociedade. Porque deixaram de serem pessoas e se tornaram empregos, deixaram de ver o próximo e passaram a ver só roupas. O livro vai muito, mais muito longe ao associarmos com os seres humanos de nossa sociedade.
Ele é muito simples e ao mesmo tempo complexo, o qual nos leva a muitas reflexões .
Basta olharmos a nossa volta e ver que o mundo está cheio de bêbados, reis, homens de negócios.
Cada um preso a um planetinha minúsculo!!!
Às vezes eu me assusto quando vejo gente da minha idade, que cresceu e estudou comigo, mas que morreu, lá atrás e hoje é um corpo inerte numa baia de escritório. É difícil lidar com isso. No entanto, não cabe a mim julgar ninguém. Cada um faz de sua vida o que acha que é certo.
Mais, voltando ao livro, em outros momentos o autor relata nas ‘pessoas grandes’ o efeito desta mutilação, um enrijecimento dos adultos.
Todos apresentam uma postura repetitiva, compulsiva, que busca incessantemente pelo nada. Estando eles cercados por um muro, não compreendem a realidade e acreditam que a simples idiotice própria é sinal de seriedade e maturidade.
No livro, a raposa ensina ao Pequeno Príncipe a importante lição de que as coisas só ganham sentido quando se conhece a amizade.
O Pequeno Príncipe compreende que apesar de o mundo ter milhares de rosas, a rosa de seu planeta era única, pois somente ela era mantenedora de seu amor, de seu afeto.
É estranho conceber que o processo de individuação não esteja ligado única e exclusivamente ao próprio sujeito que busca este estágio, mas tornar-se individuo só é possível quando existe o outro. Não é possível ser único, se não for para alguém.
Voltando à lição da raposa, ela diz: “o essencial é invisível aos olhos”.
A individualidade se faz nas pequenas coisas, nos detalhes que muitas vezes são esquecidos. É através do afeto direcionado a alguém, a um objeto que faz com que ele se torne diferente dos demais.
Um jeito de sorrir, um olhar, um gesto, um pequeno defeito, ou mesmo uma mania apaixonante... são os reais responsáveis para que ele seja considerado único. Do contrário, sem estes atestados de afeto tão simples e quase imperceptíveis, todo o resto seria desperdiçado e o 'indivíduo" não passaria de mais um entre muitos.
Como diz o Pequeno Príncipe, “o que torna belo o deserto é que ele esconde um poço em algum lugar”.
Quando ganhamos um presente, ele carrega o sorriso de quem o deu, a expectativa no desembrulhar. Se fosse somente o presente em si, este não seria nada além de uma casca.
Poucos são os capazes de desfrutar destes pequenos detalhes, a maioria acaba acreditando que estas cascas são o conteúdo que buscam.
Nunca encontrarão felicidade, viverão nessa eterna busca que não chega a lugar algum. Mas sobre isso, prefiro que o próprio Pequeno Príncipe dê seu conselho:
“_ Os homens de teu planeta cultivam cinco mil rosas num mesmo jardim... e não encontram o que procuram...”
“_ E, no entanto, o que eles procuram poderia ser encontrado numa só rosa, ou num poço de água.”
“_ Mas os olhos são cegos. É preciso ver com o coração...”

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