segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Porto Seguro!

Eu soube  desde a primeira vez que te vi, que corria o risco de te querer. Talvez por ter em você um magnetismo difícil de explicar ou pelo  fato  de que eu sempre soube que corria o risco de te querer e quis, mas deixei guardado, lá no fundo do fundo do fundinho da memória, pra tentar esquecer.  Inventei  um querer bem de amigo, umas conversas despreocupadas e forcei a me convencer que bastava, que era isso e pronto! Nada mais. Amigos e só. Doce engano! A armadura se desfez nas primeiras palavras daquela noite, que pra mim parecia um feriado, daqueles bem compridos. Você montou frases em voz de veludo, ensaiou arranjos perfeitos e foi me desmontando todinha, arruinando a esperança que eu tinha de não sentir nada, nadinha (ai que mentira).Um mínimo de sentimento. Mas eu me vi feliz, sabe? Aliás muito feliz, como a muito tempo não via. Sabia que estava ferrada, que era tarde pra se chegar em casa, tão cedo raiava o dia, que tava lindo de tão feio. Mas não dei bola, eu queria aquilo, constatei. Eu queria MUITO aquilo, aquele momento, aquelas palavras, aquela certeza, aquele sorriso, aquele abraço, aquele conforto... Eu queria muito você! Eu me sentia bem.  Diga-se, muitoo bem!Como podia ser errado se eu estava feliz? Como podia? Não era, repetia pra mim mesma. Não era.
Uma vez me falaram, tamanho era meu silêncio, “ainda existem portos seguros” e eu não acreditava, não desse tipo. Ficava na minha redoma, ruminando o que ardia aqui por dentro e me virava sozinha, como podia, como aguentava fingir que podia. Daí veio você e eu senti segurança!!! – como já deixei escapar, tão nas primeiras vezes – e consegui acreditar que existiam sim portos seguros, e só eu que não tinha encontrado o meu porto ainda. E aí estava você, que me aninhava nos braços como se eles tivessem sido moldados só pra me abrigar. Eu me escondia no teu abraço e esquecia do mundo e acreditava que seria capaz de ir mais longe, que você seria capaz de me levar mais longe, de me fazer melhor e feliz e um pouco mais feliz. É daquelas felicidades que dá vontade de chorar, confesso. Uma lágrima boba que cai, como se quisesse dizer 'que bom que você esteve aqui'. Eu te esperei desde sempre!!!

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