terça-feira, 21 de abril de 2026

As vicissitudes do Amor!


Amar, às vezes, é segurar água nas mãos.

Escorre entre os dedos, mesmo quando cuidamos,

mesmo quando prometemos ficar.

Há dias em que o amor é firme,

como raiz que abraça a terra,

e outros em que se dissolve no ar,

leve, incerto, quase ausência.

Vivemos tempos em que tudo passa depressa:

os encontros, as palavras, os afetos!

O amor, então, aprende a ser líquido

adapta-se, contorna, escapa,

tem medo de permanecer.

E assim seguimos:
colecionando encontros rasos,
confundindo intensidade com verdade,
e liberdade com ausência de compromisso.

Mas, no fundo — tão fundo que poucos admitem —
a alma ainda deseja abrigo.
Ainda anseia por um amor que fique,
que suporte os dias comuns,
que floresça mesmo no inverno.

Mas, ainda assim,

há um gesto pequeno que resiste:

um olhar que demora,

um silêncio compartilhado,

um cuidado que não pede explicação.

E nesse instante simples,

o amor deixa de fugir.

Cria perfume no que é invisível,

floresce onde ninguém vê,

e permanece —

mesmo quando tudo insiste em partir.

Desejamos, um amor que não fuja

ao primeiro desentendimento,

que não tema o espelho do outro,

que não seja refém do próprio ego.

Porque o amor, em sua essência mais pura,

não nasceu para ser passageiro.

Ele nasceu casa!

Mas, em tempos de pressa e vaidade,

as pessoas desaprenderam a morar.


 

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