Amar, às vezes, é segurar água nas mãos.
Escorre entre os dedos, mesmo quando cuidamos,
mesmo quando prometemos ficar.
Há dias em que o amor é firme,
como raiz que abraça a terra,
e outros em que se dissolve no ar,
leve, incerto, quase ausência.
Vivemos tempos em que tudo passa depressa:
os encontros, as palavras, os afetos!
O amor, então, aprende a ser líquido
adapta-se, contorna, escapa,
tem medo de permanecer.
E assim seguimos:
colecionando encontros rasos,
confundindo intensidade com verdade,
e liberdade com ausência de compromisso.
Mas, no fundo — tão fundo que
poucos admitem —
a alma ainda deseja abrigo.
Ainda anseia por um amor que fique,
que suporte os dias comuns,
que floresça mesmo no inverno.
Mas, ainda assim,
há um gesto pequeno que resiste:
um olhar que demora,
um silêncio compartilhado,
um cuidado que não pede explicação.
E nesse instante simples,
o amor deixa de fugir.
Cria perfume no que é invisível,
floresce onde ninguém vê,
e permanece —
mesmo quando tudo insiste em partir.
Desejamos, um amor que não fuja
ao primeiro desentendimento,
que não tema o espelho do outro,
que não seja refém do próprio ego.
Porque o amor, em sua essência mais pura,
não nasceu para ser passageiro.
Ele nasceu casa!
Mas, em tempos de pressa e vaidade,
as pessoas desaprenderam a morar.

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